Tarifa zero | Foto: divulgação
Baixada Fácil
A política de tarifa zero no transporte público foi o tema central de um seminário realizado nesta sexta-feira (19), em Brasília, reunindo parlamentares, representantes de governos e especialistas em mobilidade urbana. O debate reforçou a defesa da ampliação do transporte gratuito como instrumento de inclusão social, desenvolvimento econômico e melhoria da qualidade de vida da população.
Um dos principais compromissos do pré-candidato a deputado federal Celso Pansera, a discussão destacou os impactos positivos que a gratuidade no transporte pode trazer para o orçamento das famílias brasileiras. “A economia que a população trabalhadora da Baixada Fluminense faria se deixasse de pagar pelo transporte teria impacto positivo no orçamento das famílias, melhorando a vida das pessoas”, afirmou Pansera.
Promovido pela Revista Fórum, com apoio do Sindicato dos Bancários do Distrito Federal, o seminário contou com a participação do presidente da Empresa Pública de Transportes de Maricá (EPT), Celso Haddad, que apresentou a experiência do município fluminense, considerada uma referência nacional em transporte gratuito.
Segundo Haddad, a tarifa zero gera benefícios que vão além da mobilidade urbana. “Quando a tarifa deixa de sair do bolso do cidadão, esse dinheiro fica com as famílias e volta a circular na própria cidade. Transporte gratuito não é gasto, é investimento em qualidade de vida, desenvolvimento urbano e inclusão social”, destacou.
Em Maricá, os ônibus conhecidos como “Vermelhinhos” operam gratuitamente em todas as regiões do município, durante o dia e a noite.
O deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP), uma das principais lideranças nacionais do movimento pela tarifa zero, lembrou que a proposta já integra o programa do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, a implementação não ocorreria de forma imediata em todos os municípios, mas por meio de projetos-piloto e experiências graduais.
“O importante é criar uma arquitetura jurídica. A arquitetura funcionaria como um SUS do transporte, criando um sistema único de governança com repasses automatizados de recursos fundo a fundo entre o governo federal, estados e municípios”, defendeu o parlamentar.
Outro ponto relevante do debate foi apresentado pelo consultor de mobilidade urbana Rodrigo Tortorelo. Para ele, a pandemia de Covid-19 evidenciou a necessidade de novas formas de financiamento para o transporte público.
“Como não podíamos usar o limite do transporte nos momentos de pico, isso nos fez provar para a sociedade que o transporte público precisava de outros recursos para poder se movimentar. E foi graças ao transporte público que os serviços públicos funcionaram naquele período”, afirmou.
Ao final do encontro, os participantes defenderam a continuidade do debate sobre novos modelos de financiamento do transporte coletivo, apontando a tarifa zero como uma alternativa capaz de ampliar o acesso à cidade, reduzir desigualdades e fortalecer as economias locais.