Demétrio Sena - Magé
Na dramaturgia brasileira, tem licença poética para quase todo mundo. Tem, desde que a personagem seja branca; de preferência, milionária e influente. Para personagem negra não tem. O antagonista negro não é apresentado como espirituoso. A vilã, o vilão, quase nunca são ricos e nunca bem humorados. Até a mocinha, o mocinho, são compostos sob medida para serem chatos; repetitivos; de personalidade frágil, mesmo sendo os heróis das tramas, e para sofrerem abaixo da linha da dignidade, até o fim do roteiro.
Autores e diretores dos enredos nos quais o negro é protagonista, exacerbam na personalidade forte, marcante, com tiradas espirituosas, do antagonista branco. Parece uma vingança contra o que os obriga a inserir o protagonismo negro nas obras. Nelas não são os atores negros que deixam a desejar; são seus papéis que impossibilitam o brilho. Mocinhos ou vilões, as personagens brancas têm vastas possibilidades; fantasias; licenças poéticas. Aos mocinhos e vilões negros, o inflexível choque de realidade.
Quem for falar das exceções, fale do quanto elas capricham em ser exceções, no assunto exposto.
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Respeite autorias. É lei